Por Nadav Nishri. Tradução do artigo em hebraico publicado em seu site principal.
A maioria dos casais não decide se divorciar de um dia para o outro. A decisão vem após um longo período de brigas, silêncios, decepções e sensação de estagnação. Em algum momento, uma voz interior diz: “Chega. Isso não está funcionando. Precisamos terminar”. É justamente aí que muitos casais deixam passar uma etapa importante.
Uma crise nem sempre significa que não existe futuro
Quando sentimos dor, é fácil acreditar que o problema é o próprio relacionamento. Em muitos casos, porém, a dificuldade está na maneira de lidar com o conflito, mais do que na vontade de ficar juntos. Repetem-se as discussões, acusações, ofensas e explosões. Em vez de perguntar “Como podemos resolver isso de outra forma?”, pergunta-se “Como podemos sair disso de uma vez?”.
Por que decisões tomadas em meio à turbulência tendem aos extremos
Quando as emoções nos sobrecarregam, buscamos uma solução rápida que interrompa a dor. No relacionamento, isso pode gerar duas ideias extremas: ficar e sofrer, ou ir embora para se salvar. Mas a vida oferece outras possibilidades.
A decisão que muitos casais não param para considerar
Antes de decidir se vão continuar juntos ou se separar, vale perguntar: “Tentamos lidar com nosso conflito de outro jeito ou estamos apenas tentando sobreviver a ele?”. Trata-se de mudar a forma de enfrentar a situação. Ainda não é uma decisão de reconciliação ou de divórcio.
Em vez de brigar sobre quem está certo, comecem a conversar sobre o que cada um realmente precisa, os medos em relação ao futuro e os objetivos que ainda compartilham, apesar das dificuldades do relacionamento. Assim, será possível compreender melhor qual direção seguir.
Outra abordagem para a mediação de casais
A abordagem Nova Parceria (New Partnership) começa com uma pergunta voltada ao futuro: “Que futuro cada um de vocês quer construir a partir de agora?”. Não começa procurando culpados. Às vezes surge um caminho para reparar a relação. Em outros casos, fica claro que é melhor se separar, preservando o que continua importante. Em ambos, o objetivo é decidir com clareza, em vez de decidir por exaustão.
Separar-se não precisa virar uma guerra
Casais que não examinam de verdade seu futuro podem descobrir que a luta apenas muda de forma: processos judiciais, disputas envolvendo os filhos, tensões financeiras e dificuldade de cooperar por muitos anos. Um processo orientado para o futuro pode abrir espaço para mais acordos, menos conflitos e maior capacidade de construir uma vida estável depois.
O que fazer se vocês estão em uma encruzilhada?
Se a relação está em crise e vocês não sabem se devem terminar ou tentar de outra forma, talvez a pergunta importante seja como tomar essa decisão. Uma conversa profissional busca ajudar vocês a entender o que faz sentido, sem decidir em seu lugar. Pode levar à reconciliação ou a uma separação mais respeitosa e saudável. Na minha experiência, pode ajudar a evitar decisões guiadas pela turbulência emocional.
A mediação de casais na abordagem Nova Parceria foi pensada para esse momento: vocês ainda não sabem se ficarão juntos ou se vão se separar, mas sabem que não podem continuar assim.
Compreender a situação antes de decidir
É possível começar com uma conversa breve e sem compromisso para explorar o futuro desejado e o que precisa mudar para sair do impasse. O objetivo é ajudar vocês a decidir melhor, sem convencer ninguém a escolher um resultado específico.