Entre o trabalho emocional e um acordo
A separação e o divórcio trazem desafios emocionais, jurídicos, financeiros e parentais profundamente ligados. No seu artigo, Nadav Nishri descreve duas grandes abordagens para acompanhar casais nesta crise.
- A mediação jurídica procura alcançar um acordo formal que possa ser apresentado ao tribunal competente. Dá prioridade à eficiência, à definição clara de direitos e deveres e à assinatura de um acordo.
- A mediação terapêutica utiliza ferramentas da psicologia e da terapia de casal. Explora emoções, comunicação e a história da relação, procurando compreensão aprofundada ou recuperação emocional.
Estas descrições apresentam ênfases diferentes, não regras válidas para todos os profissionais. Um processo centrado nos aspetos jurídicos pode abordar de forma insuficiente as emoções que alimentam o conflito. Outro centrado na compreensão emocional pode não produzir soluções suficientemente claras e práticas. Nishri apresenta o método Nova Parceria como uma forma de ligar estas necessidades através de uma mediação sensível, prática e orientada para resultados viáveis.
O que é o método Nova Parceria?
Nadav Nishri desenvolveu o método a partir de mais de uma década de mediação entre casais em crise. O ponto de partida é que uma separação, mesmo quando envolve procedimentos jurídicos, representa uma transformação profunda de todo o sistema familiar. O método combina três dimensões:
- Ferramentas inspiradas no trabalho terapêutico: identificar emoções, necessidades e padrões de comunicação.
- Ferramentas para construir acordos: linguagem precisa e entendimentos práticos e estáveis.
- Um diálogo parental: passar de uma parentalidade organizada em torno do casal para outra assente numa parceria continuada.
Como estas dimensões se encontram
Na comparação de Nishri, a mediação centrada no acordo prioriza uma solução negociada, analisa direitos e utiliza linguagem jurídica. O trabalho centrado nas emoções procura compreensão emocional e utiliza linguagem terapêutica. Nova Parceria procura ligar necessidades, emoções e acordos concretos na mesma conversa.
O resultado pretendido é um acordo adaptado à vida real e às relações que continuam após a separação. As disposições parentais devem, por isso, apoiar uma cooperação sustentável, acompanhando a transição emocional e prática. O acordo torna-se o início de uma nova parceria, além de concluir um conflito.
«A mediação que praticamos não é apenas um processo jurídico com um fim, mas um processo humano com um novo começo: outra forma de exercer a parentalidade, outra comunicação e uma vida a partir da qual seja realmente possível construir algo bom.» — Nadav Nishri, tradução do hebraico
A quem pode ser útil?
- A casais que desejam separar-se com respeito, mesmo com grandes diferenças emocionais.
- A pais divorciados que procuram comunicar melhor sobre os filhos.
- A quem sente que o trabalho emocional precisa de maior aplicação prática, mas considera uma conversa exclusivamente jurídica demasiado limitada.
- A quem vê um bom acordo como um ponto de partida para o futuro.
O método coloca as pessoas e as relações que precisam de gerir ao lado do próprio acordo. A proposta central de Nishri é que a mediação pode ajudar a construir uma nova parceria adequada a uma nova fase da vida.